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Os padres italianos

Em 1900, o padre italiano Carmine D´Angelo, pároco da cidade de Socorro, cidade vizinha da atual Águas de Lindóia, escreveu para seus amigos Henrique e Francisco Tozzi, na Itália, contando sobre as belezas da "América" e sugerindo que viessem conhecê-las.

Henrique Tozzi que também era padre e Francisco Tozzi, um jovem médico, gostaram da idéia. Padre Henrique chegou e logo assumiu o cargo de vigário, enquanto que o Dr. Francisco Tozzi passou a clinicar na região.

A descoberta das fontes

Tempos depois, padre Henrique mandou chamar o seu sobrinho médico para examinar um eczema de pele que o incomodava muito e resistia a todos os tratamentos conhecidos naquela época.

Quando o Dr. Tozzi chegou, encontrou o seu tio curado e ficou surpreso em saber que haviam sido as águas que jorravam a 28 graus de um morro da região, denominado "Águas Quentes", que haviam feito isso.  

Desse dia em diante o Dr. Tozzi dedicou sua vida à pesquisa das fontes minerais das "águas quentes".

Após mandar analisar aquela água e confirmar suas propriedades curativas, o Dr. Tozzi adquiriu as terras ao redor das fontes e iniciou em 1910 a construção das Thermas de Lindoya.

A visita de Madame Marie Curie
Famosa cientista internacional 

Enquanto os casos de curas se multiplicavam, Thermas de Lindóia se tornava o balneário preferido por artistas, políticos e personalidades ilustres. Ao ficar sabendo que a cientista francesa Madame Marie Curie - Prêmio Nobel de Química - faria uma visita ao Brasil, o Dr. Tozzi resolveu convidá-la para conhecer as fontes das "águas quentes" e ajudá-lo a compreender as razões que levavam a água a curar muitos problemas de saúde.  

Comentam que Madame Curie, na ocasião dedicada à pesquisa do elemento rádio, ficou impressionada com as fontes, reconhecendo que elas realmente possuíam características muito raras: a radioatividade, que era o que causava as curas.  

A radioatividade foi o tema das conversas, porque anos mais tarde descobriu-se que a água mineral de Águas de Lindóia atingia 3.179 maches na escala radioativa, contra 185 maches das famosas fontes de Jachimou na Tchecoslováquia e 155 maches das fontes de Bad Gastein, na Áustria.

A radioatividade natural da água é extremamente benéfica para o organismo, e Águas de Lindóia possui, comprovadamente, a água mineral de maior radioatividade em todo o planeta.

Os primeiros hotéis

As Thermas de Lindoya, construídas a partir de 1910, eram formadas por três grandes casas, cada uma delas com um refeitório e quartos enfileirados unidos por um corredor. Apesar da estrutura simples, as construções receberam nomes pomposos: Hotel Senado, Hotel Catete e Hotel Câmara.

O Senado recebia os clientes mais pobres, enquanto que o Catete era o que mais se assemelhava a um hotel, recebendo os clientes de melhor posição.

O início do povoado

A construção das Thermas de Lindoya, em um local muito distante para as condições de transporte da época (1910), fez com o Dr. Tozzi precisasse prover os operários de condições mínimas de subsistência.

Desta forma nasceram as primeiras ruas, armazéns, casas, farmácia, escola e consultório médico. O Dr. Tozzi mudou-se com a família para o novo povoado em 1914.

O hotel que iniciou o ciclo turístico

Apesar do sucesso das "Thermas de Lindoya", o empreendimento ainda exigia que o Dr. Tozzi aplicasse todos os recursos financeiros obtidos com sua clínica. Isto significava, em valores da época, cem mil réis por dia, o equivalente a mais de 30 consultas de três mil réis cada.

A solução encontrada pelo Dr. Tozzi foi a construção de um hotel moderno, que atraísse pessoas de melhor poder aquisitivo e que, de certa forma, subsidiassem a hospedagem dos mais pobres nos outros "hotéis".

Em 1929 surgia o Hotel Glória (hoje, Grande Hotel Glória), com um belo salão para refeições, salão para refeições dietéticas, salão de diversões, cozinha ampla, apartamentos de 2 ou três quartos, água corrente, iluminação elétrica, banheiros independentes e outros "luxos".

O novo hotel mudou a rotina do lugar realizando sofisticados bailes com música ao vivo que terminavam precisamente às 22 horas, por ordem expressa do Dr. Tozzi e em prol da saúde dos hóspedes! Nem mesmo o presidente da província de São Paulo, Washington Luiz, mais tarde presidente do Brasil, escapou do excesso de zelo do médico italiano, e sempre resignou-se a encerrar suas danças no horário determinado quando hospedou-se no Hotel Glória.

O hábito de fazer a estação de águas

Muitos problemas de saúde tinham, naquela época, como única solução a permanência em um balneário, onde a ingestão de água, a alimentação e a rotina diária era acompanhada por médicos. Os hóspedes chegavam aos balneários com receitas prescrevendo o período de permanência - 10, 20, 30 ou até 60 dias.

Independente de prescrição médica, as famílias programavam longos períodos de hospedagem durante as férias. Fazer turismo e cuidar da saúde eram praticamente sinônimos. Algo como fazer turismo e fazer compras, nos dias de hoje.

Thermas de Lindoya era considerado um dos melhores balneários do mundo e, sem dúvida, era o mais "badalado" da região sudeste do Brasil, recebendo artistas e políticos.

O conforto do Hotel Glória, as festas e a freqüência de personalidades ilustres, somados à fama das águas, da comida e das crescentes histórias de cura, criaram na época uma pergunta comum na sociedade paulistana: "você não vai fazer a estação de águas de Lindoya?"
 

 

 

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